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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Max Lucado

3. Vida Ímpia

Romanos 1.21-32
E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis... honraram e serviram mais a criatura do que o Criador. Romanos 1.23,25
Pode um grilo conceber comunhão? Tenho esta¬do meditando na questão desde o último domin¬go, quando ambos, o grilo e a indagarão surgi¬ram no meu caminho. A Ceia do Senhor estava sendo servida quando, ao curvar minha cabeça, avistei o visitante embaixo do banco. Minha mente fértil imaginou-o entrando sorrateiramente pela porta lateral, esgueirando-se por entre os pés dos diáconos, e caminhando para a frente do santuá¬rio.
A visão de um grilo despertou muitas emo¬ções dentro em mim, nenhuma delas espiritual. Perdoem-me todos vocês, amantes de insetos, mas não fui atraído por sua beleza nem surpre¬endido por sua força. Normalmente eu não me interessaria pelo inseto, porém a presença de um bichinho no auditório pareceu-me simbólica.
Temos algo em comum, você, eu, e o grilo: visão limitada. Espero que o paralelo não o faça virar bicho {ai!), mas eu o acho apropriado. Nenhum de nós faz uma imagem correta da vida além do espigão.
Veja você, tanto quanto interessa ao grilo, seu universo inteiro é um auditório. Posso visualizá-lo levando o filho para fora da parede, numa noite, e mandando-o levantar os olhos ao espigão. Ele coloca a pata em volta do filho e suspira:
— Como é poderoso o firmamento sob o qual vivemos, filho!
Ele sabe que o que está vendo é apenas uma fração? E as aspirações de um grilo... Seu mais alto sonho é achar um pedaço de pão. Ele adormece com visões de migalhas de torta e pingos de geléia.
Senão, considere-o o herói do mundo dos grilos. O célebre inseto. Alguém tão veloz que pode cruzar uma sala cheia de pés. Tão corajo¬so, que explorou o interior do batistério. Tão ousado, que aventurou-se a entrar num imponente gabinete, ou a saltar do peitoril de uma janela. Existe, nas crônicas do reino dos grilos, uma historia sobre Venerável Grilo, que marchou pelas paredes bradando: “O bicho-ho¬mem está vindo! O bicho-homem está vindo!”?
Os assombrados grilos sempre olham um para o outro e exclamam “Oohh!”?
Talvez a principal questão seja: o que leva um grilo a adorar? Ele reconhece que houve uma mão por trás do edifício? Ou ele escolheu adorar o mesmo edifício? Ou talvez um lugar no edifício? Ele assume que, desde que ele não viu o construtor, não há construtor algum?
O hedonista o faz. Desde que nunca viu a mão que fez o universo, ele assume que não há vida além do aqui e agora. Acredita que não há verdade além desta sala. Nenhum propósito além de seu próprio pra¬zer. Nenhum fator divino. Ele não tem interesse no eterno. Como um grilo que se recusa a reconhecer um construtor, ele recusa-se a confes¬sar seu Criador.
O hedonista opta por viver como se absolutamente não houvesse Criador. Novamente, a palavra de Paulo para isto é ateísmo. Escreveu o apóstolo: “Eles não se importaram em ter conhecimento de Deus” (Rm 1.28).
O que acontece quando a sociedade vê o mundo através dos olhos de um grilo? O que ocorre quando uma cultura se instala numa choupana de sapé, em vez de no castelo do pai? Existem conseqüências para a busca de prazeres ímpios? Ele está mais interessado em satisfazer suas paixões que no conhecimento do Pai. Sua vida é tão ávida de prazeres, que não sobra tempo nem espaço para Deus.
Ele está certo? É correto gastar nosso dias vivendo pelo rumo do nariz, sem nos importarmos com Deus?
Paulo afirma “Absolutamente não!”
De acordo com o primeiro capítulo de Romanos, perdemos bem mais que vitrais quando rejeitamos a Deus. Perdemos nosso critério, nosso propósito, e nossa adoração. “Em seus discursos se desvanece¬ram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tor¬naram-se loucos” (Rm 1.21,22).
1. Perdemos Nosso Critério
Quando eu tinha nove anos, elogiei um aeromodelo de meu cole¬ga. Ele tão-somente replicou:
— Eu o roubei.
Deve ter notado meu espanto, e perguntou-me:
— Você acha que isso foi errado?
Disse-lhe que sim, e ele respondeu-me simplesmente:
— Pode ser errado para você, não para mim. Não fiz mal a ninguém quando roubei o avião. Conheço o dono. Ele é rico; pode comprar outro. Eu, não.
O que você me diz desse argumento? Se você não acredita na vida além das vigas do teto, tem pouco a dizer. Se não há um bem supremo por trás do mundo, então como definimos “bem” dentro do mundo? Se a maioria das opiniões determinam o bem e o mal, o que acontece quando a maioria está errada? O que você faz quando a maioria do grupo diz que não há problema em roubar, atacar, ou mesmo disparar armas de fogo de um veículo em movimento?
O mundo sem moral do hedonista pode ficar bem no papel, ou soar importante num curso de filosofia, mas e na vida? Chegue para o pai de três crianças, cuja esposa o abandonou, e diga-lhe: “Divórcio pode ser errado para você, mas para mim, está tudo certo”. Ou peça a opinião de uma adolescente grávida e amedrontada, para quem o na¬morado disse: “Se você tiver o bebê, a responsabilidade será sua”. Ou então pergunte a um aposentado, cuja pensão foi roubada por um mercenário que acreditava estar tudo bem, desde que não fosse apanhado.
Por outro lado, uma visão piedosa do mundo tem algo a dizer ao meu ladrão infantil. A fé desafia esses cérebros-de-grilo a responder por um critério superior, em vez de por uma opinião pessoal: “Você pode pensar que é certo. A sociedade pode achar que está tudo bem. Porém o Deus que fez você disse: ‘Você não deverá roubar’ — e Ele não estava brincando”.
A propósito, siga o pensamento ímpio com a sua extensão lógica, e veja o que você ganha. O que acontece quando uma sociedade nega a importância do certo e errado? Leia a resposta na parede de uma pri¬são, em Poland: “Libertei a Alemanha da estúpida e degradante falácia de consciência e moralidade”.
Quem fez tal jactância? Adolf Hitler. Onde estão afixadas estas pala¬vras? Num campo de extermínio nazista. Os visitantes lêem a declara¬ção, e então vêem os resultados: uma sala abarrotada com milhares de libras de cabelos de mulheres, salas cheias de retratos de crianças cas¬tradas, e fornos de gás que serviram para a solução final de Hitler. Paulo descreve-o melhor: “Seu coração insensato se obscureceu” (Rm 1.21).
Ora, Max, você está indo longe demais. Não está esticando o que começou com o roubo de um aeromodelo, para terminar num holocausto?
Na maioria das vezes não chega a tanto. Mas poderia. E o que há para interrompê-lo? Que dique pode segurar o fluxo do Negador-de-Deus? Que âncora usaria o secularista para impedir que a sociedade fosse sugada pelo mar? Se uma sociedade deleta Deus da equação humana, que sacos de areia empilharia contra a crescente maré de barbarismo e hedonismo?
Como se expressou Dostoevsky, “Se Deus está morto, então tudo é justificável.”
2. Perdemos nosso Propósito
A seguinte conversa ocorreu entre um canário na gaiola e uma cotovia no peitoril da janela. A cotovia deu uma olhada para o canário e perguntou-lhe:
— Qual é o seu propósito?
— Meu propósito é comer sementes.
— Para quê?
— Para ficar forte.
— Para quê?
— Para poder cantar — respondeu o canário.
— Para quê? — continuou a cotovia.
— Porque quando eu canto, ganho mais sementes.
— Então você come a fim de ficar forte para poder cantar, e então ganhar mais sementes para comer?
— Sim.
— Há mais que isso para você — ofereceu a cotovia. — Se você me seguir, eu lhe mostrarei. Mas você deve deixar sua gaiola.
É difícil encontrar sentido em um mundo engaiolado. Mas isto não nos impede de tentarmos. É só cavar fundo o bastante em cada cora¬ção, e você o achará: uma ânsia de significado, uma busca de propósi¬to. Tão certo quanto um menino respira, um dia ele quererá saber: “Qual o propósito de minha vida?”
Alguns buscam significado numa carreira. “Meu propósito é ser um dentista”. Excelente vocação, mas dificilmente uma justificativa para a existência. Eles optam por ser um “fazedor” humano em lugar de um “ser” humano. “Fazer” em vez de “ser”. Eles são aquilo que fazem; consequentemente, fazem muito. Trabalham muitas horas, porque se não trabalharem não terão identidade.
Outros são o que têm. Estes encontram significado num carro novo, numa casa nova, ou em roupas novas. Tais pessoas são desmedidas para a economia, e desbastam o orçamento porque estão sempre bus¬cando sentido em algo que possuam.
Ainda há aqueles que procuram significado nos descendentes. Eles vivem de modo vicário através dos filhos. Ai desses filhos. Já é bastante duro ser jovem, sem ter de ser ainda a razão de viver de alguém. Alguns tentam esportes, diversões, cultos, sexo. Tudo miragens no deserto. “Dizendo-se sábios, tornaram-se lou¬cos” (Rm 1.22).
Não deveríamos encarar a verdade? Se não reconhecemos a Deus, somos destroços de naufrágio no universo. Na melhor das hipóteses, somos animais desenvolvidos. E na pior, poeira reagrupada. No final da análise, a resposta dos secularistas à indagação “Qual o significado da vida?” é uma só: “Não sabemos”.
Ou, como concluiu o paleontólogo Stephen J. Gould:
Nós existimos porque um singular grupo de peixes, com uma anatomia peculiar, pôde transformar barbatanas em pernas para criaturas terres¬tres; porque a terra nunca congelou inteiramente durante a era do gelo; porque uma pequena e tênue espécie, surgida na África a um quarto de milhão de anos, tinha treinado, até então, para sobreviver a qualquer custo. Podemos anelar uma resposta elevada — mas não há nenhuma.

O propósito do homem é ser sacrificado sobre o altar do ateísmo. Contraste isso com a visão de Deus para a vida: “Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazer boas obras, as quais Deus preparou de antemão para que nós as praticássemos” (Ef 2.10 NVI).
Com Deus em seu mundo, você não é um acidente ou incidente; você é uma dádiva para o mundo, uma sublime obra de arte assinada por Deus.
Um dos melhores presentes que já recebi é uma bola de futebol assinada por trinta zagueiros profissionais. Não há nada de mais nessa bola. Até sei que ela foi comprada com desconto numa casa de artigos esportivos. O que a torna singular são as assinaturas.
O mesmo se dá conosco. No esquema natural Homo Sapiens não há singularidade. Não somos as únicas criaturas com carne, cabelo, sangue e coração. O que nos faz especiais não é nosso corpo, mas a assinatura de Deus em nossas vidas. Somos sua obra prima. Somos criados à sua imagem para as boas obras. Somos significantes, não por causa do que fazemos, mas por quem somos.
3. Perdemos Nossa Adoração
Já ouviu a história do homem procurando as chaves sob a luz do poste? Seu amigo o vê e pára a fim de ajudá-lo. Após alguns minutos, o amigo pergunta:
— Mas exatamente onde você deixou cair as chaves?
— Em minha casa — responde o homem.
— Em sua casa? Então por que está procurando aqui fora?
— Porque a luz é melhor aqui.
Você nunca achará o que precisa, se não procurar no lugar certo. Se você está procurando suas chaves, vá para onde as perdeu. Se está a procura de verdade e propósito, vá para o lado de fora do espigão. E se está em busca do sagrado, mais uma vez, você não conseguirá achá-lo, se pensar como um grilo.
E trocaram a glória de Deus, que sustenta o mundo inteiro em suas mãos, por estatuetas baratas, que podem ser compradas em qualquer beira de estrada (Rm 1.21).
Voltemos aos grilos por um instante. Suponha que esses grilos se¬jam totalmente avançados e, freqüentemente, se empenhem na filosó¬fica questão “Existe vida além do espigão?”
Alguns grilos acreditam que sim. Deve haver um criador desse lu¬gar. Se não, como surgiu a luz? Como pode o vento soprar através dos orifícios? Como pode a música encher o aposento? Admirados com o que podem ver, eles adoram o que não vêem.
Porém outros grilos discordam. A partir de estudos, eles acham que a luz vem por causa da eletricidade. O vento assopra por causa do condicionador de ar, e a música é o resultado da caixa acústica. “Não havida além desta sala”, declaram eles. “Calculamos como tudo funci¬ona”.
Vamos deixar os grilos ganhar essa? Claro que não! “Não é porque vocês não entendem o sistema”, devemos dizer-lhes, “que vão negar a presença de alguém do lado de fora dele. Além disso, quem o cons¬truiu? Quem instalou o interruptor? Quem projetou o compressor ou construiu o gerador?
Mas não estamos cometendo o mesmo engano? Compreendemos como são formadas as tempestades. Mapeamos o sistema solar, e trans¬plantamos corações. Medimos a profundidade do oceano, e enviamos sinais a planetas distantes. Nós, os grilos, temos estudado o sistema e aprendido como este funciona.
E assim, a perda do mistério tem levado a perda da majestade. Quanto mais conhecemos, menos acreditamos. Estranho, não acha? O conhecimento do processo não deveria desmentir o milagre. O conhecimento deveria suscitar a admiração. Quem tem mais razão para adorar que o astrônomo que vê as estrelas? Que o cirurgião que segura corações nas mãos? Que o oceanógrafo que sonda as profundezas? Quanto mais conhecemos, mais deveríamos nos ma¬ravilhar.
Ironicamente, quanto mais conhecemos, menos adoramos. Estamos mais impressionados com a nossa descoberta do interruptor, que com o inventor da eletricidade. É a lógica dos cérebros-de-grilo. Em lugar de adoramos ao Criador, adoramos a criação (Rm 1.25).
Sem maravilhas não há admiração. Achamos que tudo é calculado. Uma das atrações mais populares da Disney World é a Jungle Cruise. As pessoas não se importam de passar quarenta e cinco minutos espe¬rando no calor da Flórida, para ter a oportunidade de entrar no barco e atravessar a floresta infestada de cobras. Elas o fazem pela emoção. Você nunca sabe quando um nativo pulará de uma árvore, ou um cro¬codilo sairá da água. As cachoeiras encharcam você, o arco-íris o inspi¬ra, e o filhote de elefante brinca na água para seu divertimento.
É uma viagem total — nas primeiras vezes. Mas depois de quatro ou cinco corridas rio abaixo, começa a perder a graça. Eu deveria saber. Durante os três anos em que morei em Miami, Flórida, fiz umas vinte viagens a Orlando. Eu era solteiro e dono de um furgão, e levava qual¬quer um que desejasse passar um dia no Reino Encantado. Lá pela oitava ou nona viagem, eu podia dizer os nomes de todos os guias e as piadas que eles contavam.
Um par de vezes cheguei a cochilar durante a viagem. A trilha per¬dera seus mistérios. É de admirar que as pessoas durmam numa ma¬nhã de domingo (seja na cama ou na igreja)? Agora você sabe. Elas já viram tudo. Por que ficar excitadas? Eles conhecem tudo. Nada mais há de sagrado. O santuário tornou-se enfadonho. Em vez de agitados, como meninos no parque, passamos a vida dormitando, como passa¬geiros que repetem o mesmo percurso de trem todos os dias.
Entende como as pessoas se tornam cheias de pecados sexuais, usando seus corpos iniquamente umas com as outras? (Rm 1.24).
De acordo com o primeiro capítulo de Romanos, ateísmo é uma péssima barganha. Nessa de viver o hoje, o hedonista construtor de cabanas destrói sua esperança de viver num castelo amanhã.
O que era verdade nos dias de Paulo, ainda o é nos dias de hoje, e faríamos bem se atentássemos para a sua advertência. Do contrário, o que nos livra de destruirmos a nós mesmos? Se não há critérios nesta vida, nenhum propósito para esta vida, e nada sagrado acerca desta vida, o que nos impede de fazermos tudo o que quisermos? — Nada — responde um grilo ao outro.
Como Deus se sente acerca de tal filosofia de vida? Deixe-me dar-lhe uma dica. Como você se sentiria se visse seus filhos contentando-se com migalhas, quando você lhes tem preparado um banquete?

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